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terça-feira, 29 de setembro de 2015 carta, família, homofobia, Politica, RELIGIÃO, Sem categoria | 12:19

Nós, as Mães pela Diversidade repudiamos o Estatuto da Família !

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Nós as Mães pela Diversidade, não poderíamos silenciar frente ao Estatuto da Família que nos atinge de forma certeira e extremamente dolorosa ! Nós somos mães de pessoas LGBTs  e orgulhosas de nossos filhos !  A hierarquização do ser humano precisa ter um fim, é preciso que haja um basta ! Somos famílias SIM ! Nossas famílias são amorosas, bem constituidas e pautadas pela inclusão ! Nossos filhos apesar de serem considerados cidadãos de segunda categoria neste país, não deixam de cumprir seus deveres civis e neste caso, não são discriminados quando pagam seus impostos como qualquer outro ! Partimos do fato inquestionável de sermos cidadãos de um país  que se diz laico, democrático , civilizado e parte do mundo ocidental ! O estado é de todos aqueles que contribuem para o erário publico e o país é de todos aqueles que o habitam ! Não queremos nenhum tipo de privilégio para nossos filhos, mas exigimos  sim que se os deveres tem que ser iguais os direitos também sejam ! A equiparação da LGBTfobia ao racismo não constitui e jamais constituirá um privilégio ! Apenas queremos que nossos filhos estejam abrigados na MESMA lei que já abriga tantas minorias e populações alvo de discriminação inclusive a religiosa !  Para nós qualquer coisa diferente disso coloca em duvida a laicidade do Estado brasileiro e sua democracia e joga luz na hierarquização do ser humano que temos visto a larga e diariamente e que tem se naturalizado depois que o estado brasileiro foi rendido por forças religiosas detentoras de poder político econômico provindo  da exploração da fé ! Queremos que nossos filhos tenham o direito de se casar , porque junto com o casamento eles terão garantidos todos os direitos contidos neste ato civil, que são mais de oitenta  e que vão desde o direito a herança e adoção até o simples compartilhar de um plano de saúde e de ter regrada a guarda de filhos ! As Mães pela Diversidade vêem através desta carta pública e aberta ,  convocar a todos aqueles que amam uma pessoa LGBT que venham somar sua voz a nossa contra toda essa opressão  que nossos filhos estão sofrendo ! Queremos lembrar que jamais um heterosexual cisgênero foi morto ou levou uma lampada nos olhos neste país pelo simples fato de ser um heterosexual cisgênero ! Que nenhum branco deste país foi convidado a utilizar o elevador de serviço ou deixou de arrumar um emprego por ser branco! Que nenhuma igreja evangélica deste país foi invadida e teve seus símbolos sagrados destruídos  ou suas crianças apedrejadas por serem cristãos evangélicos!   Que o preconceito e a discriminação existem, não são lenda urbana, muito pelo contrário, são vivos e latentes. Pessoas LGBT são expulsas de suas casas crianças ainda e jogadas no gueto onde vão ser criadas por cafetinas. Se evadem da escola por não suportarem a discriminação. Não conseguem entrar no mercado de trabalho por sua condição sexual e sua identidade de gênero.  As pessoas LGBT são jogadas  pela sociedade na marginalidade quando  a sociedade fecha todas as portas e caminhos que levariam a uma vida de inclusão e honestidade e por absoluta falta de opção  essas pessoas caem na criminalidade, no tráfico , na prostituição e depois são cobradas e julgadas pelos mesmos que as jogaram lá ! A média de vida de um cidadão brasileiro é de quase 80 anos enquanto a de travestis e transexuais é de 34 anos e somos nós, a sociedade brasileira que estamos usurpando o direito a VIDA dessas pessoas !  Os discursos levianos que saem de púlpitos e palanques neste país matam e as pessoas que os proferem tem as mãos sujas de sangue ! O Brasil é o campeão mundial de assassinatos por LGBTfobia ! Nenhum outro país no mundo mata tantos LGBTs por simples ódio ! Nós mães, pais , famílias e amigos  tememos pela integridade física e moral de nossos filhos e este é um sofrimento que nos está sendo  impingido pelo estado brasileiro !  Quem nos devolverá a vida de Alexandre Ivo, Lucas Fortuna e Laura Vermont ?  Quem  devolverá a vida do menino de 8 anos morto por espancamento pelo pai no Rio de Janeiro por ser “viado” ? Quem devolvera a liberdade e a tranquilidade de andar nas ruas a André Baliera espancado em plena luz do dia por ser um LGBT ? Ao meu filho, sequestrado, ameaçado de estupro e de morte por horas por ser um LGBT ???  A menina lésbica apedrejada na rua  por ser uma LGBT  ?  Quem vai devolver o rim de Renata Peron perdido num espancamento por ser uma LGBT ? Quem curará esses traumas ? Quem cuidará dessas pessoas abandonadas a própria sorte por esse Estado ajoelhado, sequestrado e manipulado que deveria defende-las já que elas cumprem todos os seus deveres civis ? Quem garantirá a educação dessas pessoas ? A saúde dessas pessoas ? O trabalho a essas pessoas ? A segurança a essas pessoas ? Quem defenderá esses SERES HUMANOS vilipendiados de cima dos púlpitos e palanques deste país ???  A ONU ? A OEA ? O STF ?  Talvez a própria sociedade quando ciente da injustiça e da opressão que esta sendo sistematicamente praticada por aqueles que são pagos para nos defender ? Por tudo isso, nós as Mães pela Diversidade estamos aqui para pedir que todos aqueles que AMAM, que admiram um LGBT ou que simplesmente não suportam a injustiça se juntem a nós ! SOMOS FAMÍLIAS SIM ! Nenhum LGBT ou família de LGBT vai voltar pro armário, ninguém vai abaixar a cabeça, ninguém vai se esconder ou se limitar ao espaço de um gueto  ! EXISTIMOS  e  lutaremos pelo direito de nossos filhos  de estudar, de andar pelas ruas, de trabalhar, de estar, de amar , de viver e de SER !  O Estatuto da Família é o ovo da serpente ! Conclamamos a todas as famílias que tem e amam um LGBT que venham conosco defende-los e lutar por um Brasil verdadeiramente laico e democrático ,  justo e humano !

TIRE SEU PRECONCEITO DO CAMINHO, QUEREMOS PASSAR COM NOSSO AMOR !

Mães pela Diversidade

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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013 carta, homofobia, RELIGIÃO | 17:29

Teocracia NÃO, PLC 122 SIM !!!

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Eu não quero acreditar que novamente isso a que chamam Congresso Nacional vai engavetar o PLC 122. A desculpa foi qual desta vez ??? O Governador Deda morreu…e eu sinto muitíssimo, mas me preocupo também com o monte LGBTs que morrerá daqui pra frente no Brasil todo porque os Senadores estavam em Aracajú, prestando as homenagens ao Governador enquanto tinham uma lei de Direitos Humanos esperando para ser votada.

Alguma coisa tá fora da ordem… Eu não quero acreditar que a última minoria dos direitos individuais vai mais uma vez ser jogada ao descaso e ter seus direitos usados como moeda de troca nessa valsa que esse Parlamento nos impõe de um passo para frente e dois para trás. São 12 anos pra aprovar uma lei minha gente…se fosse um aumento de salário para o legislador, com certeza 24 horas seriam suficientes.

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Mas o que esperar de um país que caminha a passos largos para uma Teocrácia Fundamentalista sem que ninguém faça nada para conter ? E enquanto isso, jogam migalhas de pão e circo ao povo em forma de COPA, para criar uma cortina de fumaça . Esse expediente, deveria ter ficado lá na Ditadura Militar… e justamente os opositores ferrenhos voltam décadas depois com a mesma artimanha batida e manjada. Está na hora da bancada petista mostrar seu valor no movimento social e honrar o MEU voto. E que mostre JÁ com seus 12 Senadores, mesmo que os outros 69, incluindo os 3 da bancada evangélica, 3 minha gente de 81 ( não tem alguma coisa muito estranha ?) votem contra a aprovação. Porque caso contrário a única coisa que vai conseguir nos dar é a certeza de que está sequestrado por essa bancada mequetrefe (me desculpa Willian Souza, mas não consigo mais segurar).

PLC 122

 A carta aberta que a militância LGBT escreveu ao Senado em apoio ao PLC122, tem dentre as inúmeras assinaturas a do CONIC, CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS DO BRASIL, que reúne as igrejas Católica Apostólica Romana ( ICAR), Evangélica de Confissão Luterana no Brasil ((IECLB), Sirian Ortodoxa de Antioqua ( ISOA), Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) , Metodista e Presbiteriana Unida (IPU). Aquela parte nobre da Igreja Cristã que está acordando e abrindo os olhos para os desmandos dos VENDILHÕES DO TEMPLO, expulsos por Jesus e não quer mais seus nomes associados a eles. Porque se é direito perseguir com base na Bíblia que é um livro exclusivamente dos cristãos, eles seriam os primeiros a serem perseguidos com sua teoria da prosperidade, porque foi Jesus em pessoa que expulsou os vendilhões do templo. E mais… Jesus Cristo foi o primeiro defensor do ESTADO LAICO quando disse: A César o que é de César e a Deus o que é de Deus. São esses vendilhões que estão agora sendo expulsos de Angola e que o Conselho das Igrejas Evangélicas de Portugal não aceitou como membros.

Como pode acontecer perseguição religiosa a uma minoria em pleno 2014 ?? Eu não consigo entender. Já ouviram o ditado “ OS INCOMODADOS QUE SE MUDEM” ? Quem sabe uma ilha no melhor estilo Papillon, para esses que tem tanta dificuldade para conviver com a diversidade, não seria o ideal. Ontem eu conversava com um amigo HETERO que tem dois filhos pequenos, e ele me dizia que está pensando em mudar para outro pais, por estar sinceramente preocupado com o avanço fundamentalista e a onda de conservadorismo. Porque a perseguição sistemática dessa ala de comerciantes da fé aos gays e as religiões afro, amanhã pode ser as mulheres, aos apreciadores de um bom whisky, aos lutadores de sumô, aos cinéfilos aos psicólogos, aos ciclistas ou sabe-se lá quem mais esses sequelados vão inventar de perseguir.

CONICO fato é, que antes da chegada dessa corja proveniente dos EUA , onde obviamente perderam a guerra cultural, o Brasil era um país pacífico e HUMANO. Aí eles enxergaram por aqui, um terreno fértil devido ao descaso com a educação e foram criando suas raízes nojentas. E hoje, o nosso país, virou um caldeirão de ódio , discriminação e sujeira de todo o tipo. E o poder econômico deles, proveniente do comércio da fé e vai saber mais de onde (vide o Pastor midiático recentemente preso no Rio de Janeiro e que contou com a incondicional solidariedade dos pares), se transforma em poder político e sequestra o Estado.

Outro fenômeno que pode ser facilmente detectado hoje, pelo menos em São Paulo, é que a esquerda , continua querendo usar a lenda de que são os benfeitores da comunidade LGBT, que pode ter sido verdade um dia, mas hoje um olhar um pouco mais atento, desvincula o conservador de costumes desta ou daquela ideologia política. O eleitor paulista é um conservador sócio econômico, principalmente no interior do estado, mas não um conservador de costumes. E se a esquerda quer usar esse título ad eternum, que mostre na votação do PLC 122 sua coerência.E digo isso com a maior tranquilidade, já que hoje Dilma governa com meu voto e o Senador Suplicy também e este já perdi até as contas de quantos mandatos teve e terá com meu voto, e tenho a absoluta certeza que o MEU senador vai votar pela aprovação do PLC. Mas e o resto da bancada petista?

Eu espero sinceramente que este acordar do CONIC, este acordar do meu amigo hetero, este desvincular deste eleitor de direita com o conservador ismo de costumes, viralizem e nos façam ver uma luz no fim do tunel rumo a um Brasil LAICO, DEMOCRÁTICO E LIVRE DE TODO E QUALQUER TIPO DE DISCRIMINAÇÃO. Que a comunidade LGBT pare de ser usada, perseguida, e que se de ao povo LGBT o direito pleno de cidadão contribuinte que é. Que toda essa força tarefa usada para barrar os direitos de uma minoria, passe a ser usada na luta por uma educação de qualidade, por uma saúde de excelência, por um sistema carcerário humano e digno, pelo fim da violência contra a mulher, o idoso, a criança, o deficiente físico, as travestis e transexuais, ao LGBT como um todo e no combate EFETIVO e REAL a lavagem de dinheiro do tráfico e todos os envolvidos (cara de paisagem).

Que o Estado e as Igrejas que fazem parte do CONIC, entrem na comunidade carente para prestar assistência e acabar de vez com o círculo vicioso que se formou com a chegada desses falsos cristãos, falsos profetas, falsos ungidos que ao contrário de todo e qualquer ensinamento de Jesus fazem do ódio o mote da sua vida. Que os partidos e políticos que usam nossa causa e levantam nossa bandeira com fins eleitoreiros… desta vez dêem um recado claro e mostrem seu real envolvimento com o movimento social… E QUE DEUS LIVRE O NOSSO PAIS DOS NEO…FUNDAMENTALISTAS !!! PLC 122 JÁ !!!

 

BARCO

LEIA AQUI A CARTA ABERTA PELA PLC 122

PS: Não aceito mais comentários, porque a Comunidade LGBT não merece ser agredida num espaço que é seu e só seu . Quem quiser falar de Adão e Ivo, que vá procurar um site gospel.

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sexta-feira, 27 de setembro de 2013 carta | 17:35

Minha filha lésbica não quer me apresentar a namorada

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Mãe se pergunta se deve forçar a filha à apresentar a namorada (Foto: Thinkstockphotos)

Sou bem resolvida quanto à sexualidade da minha filha de 21 anos, ela se assumiu gay há mais de um ano e eu a apoiei. Apesar disso, ela não quer me apresentar à namorada dela, diz que ainda não está preparada. Devo esperar a minha filha estar pronta ou devo insistir?

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Se a sexualidade dela está bem resolvida para vocês, como me pareceu estar, talvez se trate apenas de uma insegurança passageira que aconteceria também no caso de uma relação normativa (hetero). Então, eu não insistiria, esperaria que ela estivesse preparada , mas deixaria claro o quanto eu gostaria de conhece-la e como a receberia de braços abertos!

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terça-feira, 30 de julho de 2013 carta, família, homofobia | 12:56

"Meu filho me contou que é gay, devo alertá-lo sobre os riscos que ele corre?"

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Neste post, vou me referir à questão de Irene Dávila. Ela escreveu ao iG para contar que seu filho disse para ela que é homossexual e ela aceitou completamente. Só não sabe se deve conversar com ele sobre como enfrentar o mundo.

“Meu filho de 19 anos me contou que é gay. Não fiquei triste ou decepcionada, na verdade nada mudou para mim com relação a ele. Mas devo conversar com ele, alertá-lo sobre os riscos que ele corre se quiser exercer sua homossexualidade livremente? Tenho medo de que o mundo o hostilize, ele sempre foi um menino muito protegido.” – Irene Dávila, SP

Cara Irene:

É claro que você deve conversar com ele… muito e sempre. A homofobia existe, não é lenda urbana. Ela é imensa, perigosa e está sempre próxima. Eu sempre conversei com meu filho, chegando às raias da superproteção.

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Cada vez que ele saía eu lembrava a ele que fazemos parte de uma sociedade homotransfóbica e alertava para que tomasse cuidado e se protegesse. Para você, que me parece uma mãe liberta de preconceito, eu aconselharia que se ligasse a um grupo de pais LGBTT na internet, onde podemos trocar experiências e nos ajudar mutuamente nas dificuldades, dúvidas e anseios. Existem muitos grupos, eu mesma faço parte de vários. Posso sugerir o FAMÍLIAS FORA DO ARMÁRIO, o GPH (grupo de pais de homossexuais) e o MÃES PELA IGUALDADE.

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sexta-feira, 19 de julho de 2013 carta | 13:45

A filha tentou se abrir com a mãe, que se recusou a ouvir. E agora?

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Decidi encarar uma carta bem difícil de responder. A filha tentou contar para a mãe que é homossexual, e que aquela sua amiga inseparável é na verdade sua namorada. A mãe não quis ouvir.

“Tenho 30 anos, estou em um relacionamento com uma mulher há 5, minha mãe segue fingindo que acha que somos amigas. Outro dia a convidei para almoçar e disse: preciso te contar uma coisa. Ela respondeu: Vamos combinar uma coisa? O que eu não quero saber eu não pergunto. Devo respeitar a vontade dela e seguir nessa “eu finjo que não sei que ela sabe e ela finge que não sabe que eu sei”? Ou é egoísmo dela agir assim e não me deixar falar claramente sobre a minha vida?” – Ana Colombo, SP

Ana, a sua é realmente uma carta difícil de responder. Eu sempre recorro ao “se não dá para falar, escreva”. Talvez os motivos dela sejam religiosos. Neste caso, mostre para ela que a religião inclusiva é uma realidade e que temos grandes defensores e amigos em todas as religiões. O rabino Nilton Bonder, o pastor Ricardo Gondim, o padre Luís Corrêa Lima e isso sem contar o Dalai Lama, Desmond Tutu e o novo Papa, que parece que veio para revolucionar a Igreja Católica.
Se ela não te escuta, faça com que te leia. Leve conhecimento, instrução, mostre quanto é mais importante uma família feliz ao redor de uma mesa em uma refeição do que a opinião de uma sociedade hipócrita. O quanto é mais importante ver um filho feliz, amado e completo, do que dar satisfação da vida de vocês para pessoas que não fazem falta, não pagam suas contas, não sentem suas dores e não comemoram suas conquistas.
Na realidade sua pergunta é extremamente difícil de ser respondida porque não diz exatamente qual o motivo da falta de comunicação, mas, seja como for, escreva, argumente. Argumentos não nos faltam, apoio muito menos. Temos conosco, hoje, segmentos importantíssimos da sociedade, formadores de opinião que não podem ser desprezados, como a OAB, a OMS, a ONU, a Sociedade Brasileira de Genética e tantos e tantos outros. Mostre para ela o quanto você precisa dela e desta aceitação. Escreva, escreva muito… mesmo as pessoas que não falam dificilmente se recusam a ler. E se o motivo for o mais comum de todos, o religioso, mande para ela esta carta de amor que tem ajudado a tantos:

“Carta aos pais dos homossexuais ” – Padre Luís Corrêa Lima (2007)

“Os seus filhos são um presente de Deus criador a vocês e à humanidade, assim como a vida
de todo ser humano. E vocês são para eles um instrumento da Providência divina para
que tenham vida, afeto, educação e valores.

Nós chamamos a Deus de ‘Pai’, conforme a nossa tradição judaico-cristã. Usamos a nossa linguagem e experiência humanas para nos dirigirmos a alguém que ultrapassa os limites do mundo e da nossa vivência. Também reconhecemos nele os traços da ternura materna. A experiência do amor incondicional, que os pais proporcionam, é fundamental para o despertar da fé e para uma sadia relação com Deus.

Ter filhos homossexuais lhes remete à complexa realidade da diversidade sexual. Ao longo da história e em diferentes culturas, esta questão foi tratada de vários modos. A nossa tradição de séculos longínquos e recentes já considerou a relação entre pessoas do mesmo sexo uma abominação e uma séria doença, impondo um pesado fardo a gays e lésbicas. No entanto, há mudanças que não podem ser negligenciadas, como a evolução dos direitos humanos, a superação da leitura da Bíblia ao pé da letra e, nos anos 1990, a supressão da homossexualidade da lista de doenças da Organização Mundial de Saúde.

Trata-se de uma condição, e não de opção, que alguns carregam por toda a vida. A sociedade e as famílias estão por aprender uma nova maneira de lidar com a homoafetividade; a Igreja Católica, que é parte da sociedade, também. Ao se falar da Igreja, frequentemente se pensa em proibições e condenações. Este não é um ponto de partida adequado.

A Igreja ensina que ninguém é um mero homo ou heterossexual, mas antes de tudo um ser humano, criatura de Deus e, pela graça divina, filho Seu e destinado à vida eterna. E acrescenta que os homossexuais devem ser tratados com respeito e delicadeza. Deve-se evitar para com eles toda forma de discriminação injusta. No nível local, há mudanças importantes acontecendo na Igreja. Em 1997, os bispos católicos norte-americanos escreveram uma bela carta pastoral aos pais dos homossexuais.

O título é: Always our children (Sempre Nossos Filhos). Segundo eles, Deus não ama menos uma pessoa por ela ser gay ou lésbica. A Aids não é castigo divino. Deus é muito mais poderoso, mais compassivo e, se for preciso, mais capaz de perdoar do que qualquer pessoa neste mundo. Os bispos exortam os pais a amarem a si mesmos e a não se culparem pela orientação sexual dos filhos, nem por suas escolhas. Os pais de homossexuais não são obrigados a encaminhar seus filhos a terapias de reversão para torná-los heteros. Os pais são encorajados, sim, a lhes demonstrar amor incondicional. E dependendo da situação dos filhos, observam os bispos, o apoio da família é ainda mais necessário.

Prezados pais, os seus filhos serão sempre seus filhos. Vocês não fracassaram e nem erraram por causa da orientação sexual deles. O estigma de infâmia e de doença ligado à homossexualidade precisa ser vencido. A aceitação da condição de seus filhos torna a vida de ambos muito melhor e mais feliz. Esta tarefa não é fácil, mas também não é impossível.

A prova disso é o depoimento de tantos pais que já conseguiram, ainda que tenham levado alguns anos.
A confiança no bom Deus, fonte de todo o bem e do amor incondicional, há de tornar este caminho mais suave e exitoso. Cordialmente,

Pe. Luís Corrêa Lima, S.J.

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sexta-feira, 12 de julho de 2013 carta | 13:31

Nova fase da coluna: a partir de hoje vou responder cartas enviadas ao iG. Está difícil conversar com seu filho? Que tal escrever?

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A primeira carta que escolhi para responder é de uma mãe ansiosa. Ela desconfia de que o filho seja gay e está em dúvida sobre como agir. Ela deve perguntar diretamente ou esperar ele se manifestar?

“Tenho a desconfiança de que meu filho de 24 anos é gay. Ele nunca falou comigo sobre isso, e todas as vezes que eu tentei tocar no assunto ele foge. Devo insistir? Ou é melhor esperar ele me contar na hora que estiver pronto?” – Joana Alves, SP


Cara Joana:
É muito difícil responder a esse tipo de pergunta por não conhecer a realidade das pessoas envolvidas. Cada ser humano é único e sente de forma única. O que eu posso fazer é me colocar no seu lugar e dizer o que eu faria nessa situação.

Se a comunicação está tão difícil, eu escreveria. Abriria meu coração, reafirmaria o amor incondicional, me colocaria à inteira disposição para ajudar no que fosse preciso para transpor este obstáculo. Obstáculo sim, porque sair do armário frente a uma sociedade homofóbica é imensamente difícil. Mas, ao mesmo tempo, é necessário para que o ser humano seja completo, verdadeiro, coerente e honesto consigo mesmo.

Só não se esqueça também de que o não sair do armário é um direito inegável, ou que talvez a sexualidade dele seja apenas uma suposição sua. Mas escreva… Fale do seu amor, da sua força, da sua aceitação e do seu anseio por um filho FELIZ, independente da condição sexual.

Termino a resposta com um texto de que gosto muito, a “Carta aos pais dos homossexuais ”, do Padre Luís Corrêa Lima (2007), uma carta de amor que tem ajudado a tantos.

“Os seus filhos são um presente de Deus criador a vocês e à humanidade, assim como a vida
de todo ser humano. E vocês são para eles um instrumento da Providência divina para
que tenham vida, afeto, educação e valores.

Nós chamamos a Deus de ‘Pai’, conforme a nossa tradição judaico-cristã. Usamos a nossa linguagem e experiência humanas para nos dirigirmos a alguém que ultrapassa os limites do mundo e da nossa vivência. Também reconhecemos nele os traços da ternura materna. A experiência do amor incondicional, que os pais proporcionam, é fundamental para o despertar da fé e para uma sadia relação com Deus.

Ter filhos homossexuais lhes remete à complexa realidade da diversidade sexual. Ao longo da história e em diferentes culturas, esta questão foi tratada de vários modos. A nossa tradição de séculos longínquos e recentes já considerou a relação entre pessoas do mesmo sexo uma abominação e uma séria doença, impondo um pesado fardo a gays e lésbicas. No entanto, há mudanças que não podem ser negligenciadas, como a evolução dos direitos humanos, a superação da leitura da Bíblia ao pé da letra e, nos anos 1990, a supressão da homossexualidade da lista de doenças da Organização Mundial de Saúde.

Trata-se de uma condição, e não de opção, que alguns carregam por toda a vida. A sociedade e as famílias estão por aprender uma nova maneira de lidar com a homoafetividade; a Igreja Católica, que é parte da sociedade, também. Ao se falar da Igreja, frequentemente se pensa em proibições e condenações. Este não é um ponto de partida adequado.

A Igreja ensina que ninguém é um mero homo ou heterossexual, mas antes de tudo um ser humano, criatura de Deus e, pela graça divina, filho Seu e destinado à vida eterna. E acrescenta que os homossexuais devem ser tratados com respeito e delicadeza. Deve-se evitar para com eles toda forma de discriminação injusta. No nível local, há mudanças importantes acontecendo na Igreja. Em 1997, os bispos católicos norte-americanos escreveram uma bela carta pastoral aos pais dos homossexuais.

O título é: Always our children (Sempre Nossos Filhos). Segundo eles, Deus não ama menos uma pessoa por ela ser gay ou lésbica. A Aids não é castigo divino. Deus é muito mais poderoso, mais compassivo e, se for preciso, mais capaz de perdoar do que qualquer pessoa neste mundo. Os bispos exortam os pais a amarem a si mesmos e a não se culparem pela orientação sexual dos filhos, nem por suas escolhas. Os pais de homossexuais não são obrigados a encaminhar seus filhos a terapias de reversão para torná-los heteros. Os pais são encorajados, sim, a lhes demonstrar amor incondicional. E dependendo da situação dos filhos, observam os bispos, o apoio da família é ainda mais necessário.

Prezados pais, os seus filhos serão sempre seus filhos. Vocês não fracassaram e nem erraram por causa da orientação sexual deles. O estigma de infâmia e de doença ligado à homossexualidade precisa ser vencido. A aceitação da condição de seus filhos torna a vida de ambos muito melhor e mais feliz. Esta tarefa não é fácil, mas também não é impossível.

A prova disso é o depoimento de tantos pais que já conseguiram, ainda que tenham levado alguns anos.
A confiança no bom Deus, fonte de todo o bem e do amor incondicional, há de tornar este caminho mais suave e exitoso. Cordialmente,

Pe. Luís Corrêa Lima, S.J.”

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